JUDÔ

Kiai

Em resumo, o princípio do Kiai (grito para ganhar coragem) é o uso do controle da respiração, simultaneamente à ação. Enquanto se prepara para projetar o oponente, inala-se. Enquanto é executado o arremesso, exala-se profundamente e grita-se Kiai. O grito tem o mesmo efeito do grunhido que se faz normalmente quando se levanta ou empurra-se um objeto pesado. Torna os músculos abdominais tensos pelo esforço extra e concentra o poder (força) extra para o instante específico da ação de derrubar o adversário. O grito de Kiai tem o efeito colateral de assustar o adversário. O Kiai bem aplicado anula parcialmente o sentido do adversário, o qual é primordial para o equilíbrio do corpo.

O uso do Kiai tem grande valor como técnicas psicológicas em competições. É tão eficiente que, antigamente, se acreditava em seu poder mágico.

Vestuário

Judogi - Kimono - Uniforme

Tradicionalmente, os judocas vestem o judogi um tipo de quimono reforçado para a pratica do judô.


Obi - Faixas e Graduações

Assim como há muitos estilos diferentes na prática do judô, também há esquemas diferentes na classificação por faixas. No Japão, prevalece o seguinte esquema: Faixa Branca pra designar principiante; Faixa Marrom para os graus intermediários, e a Faixa Preta para os graus avançados. A Europa, mais independente da orientação japonesa, tem um sistema de faixas melhor: dando uma faixa de cor a cada grau nas classificações.

A cor deve ser usada para diferenciação das classificações fica agrave; escolha de cada escola ou sistema. Cada sistema seleciona seu esquema de cores e torna-se impossível saber o significado do grau, a não ser que se conheçam as normas do sistema. Por exemplo, na Europa, em partes do Estados Unidos, da América do Sul e no Canadá, o esquema de cores é o seguinte:

Mu-kyu (Mu = nada) Branca
Ro-kyu (Ro = roku = seis) Azul
Go-kyu (Go = cinco) Amarela
Yon-kyu (Yon = quatro) Laranja
San-kyu (San = três) Verde
Ni-kyu (Ni = dois) Roxa
Ikkyu (I = Ichi = um) Marrom
Kô-dan-sha  Preta até o 5º dan
Coral do 6º ao 8º dan
Vermelha 9º e lOº dan

As variações do esquema acima são inúmeras e o iniciante não se deverá ocupar com as diferenças que encontrará. Há escolas que chegam até a usar uma tonalidade clara e outra escura da mesma cor, para designar diferenças de classificação. Não há uma maneira errada - há apenas as preferências individuais.

Faixa Preta

Há muitos conceitos errados, preconceitos e confusões a respeito do portador de uma Faixa Preta.

Um desses conceitos é o de que a obtenção da Faixa Preta qualifica o judoca automaticamente como instrutor.

A Faixa Preta indica uma perícia muito grande de atuação no judô.

Trabalho duro, disciplina, dedicação, determinação física e metal e anos de treino intenso precedem a obtenção da Faixa Preta. E uma obtenção difícil. E uma meta intermediária e séria dos praticantes capazes e sérios.

Alguns mestres do judô costumam dizer que o aluno só começa a aprender o verdadeiro judô quando alcança a Faixa Preta. Pois, todo até a Faixa Preta o aluno só aprende a cair e derrubar o seu oponente com segurança. A suavidade e a essência do judô só serão desenvolvidas quando o praticante conhecer estas técnicas.

Vocabulário Japonês

É impressionante como o judô conserva uma vasta quantidade de nomes e frases japonesas em sua prática desportiva cotidiana.

Inconscientemente, o iniciante vai aprendendo da cultura e filosofia do Japão, desde a maneira de se vestir como um samurai de quimono a contar até 10 em língua nipônica.

As graduações exigem do aluno saber de cor o nome dos golpes. Competições, desde os comandos de luta às pontuações são feitas em japonês.

Listar-se-á os nomes e expressões presentes no judô:

Regras dos árbitros e juizes

Hajime Ordem de começar à luta
Matte Ordem para parar ou esperar o combate
Ippon Declaração de ponto máximo (golpe perfeito)
Wazari (pronuncie Uazari) Declaração de meio - ponto ou e quase-perfeito
Yuko Declaração de quase meio-ponto
Koka Declaração de pontuação mínima
Osaekomi Declaração de controle (de um oponente sobre o outro)
Osaekomi toketa Declaração de quebra de controle
Sono-mama Ordem para parar a luta no chão
Yoshi (pronuncie Yôshi) Ordem para retornar a luta
Shidô Indicação de pequena infração
Chui (pronuncie Tchui) Indicação de infração moderada
Keikoku Indicação de infração séria
Hansoku-makeIndicação de infração muito séria
Hantei Pedido para que os juizes dêem uma decisão
Hiki-wake Indicação de empate
Yusei-gashi Designação do lutador ganhador

Fundamentos

Nage-waza Técnicas de arremesso
Katame-waza  Técnicas de solo

 

Nage-waza Tati-waza (Téc. em Pé) Te-waza (Téc. de mãos)
Koshi-waza (Téc. de quadris)
Ashi-waza (Téc. de Pés)
Sutemi-waza (Téc. sacrifício) Massutemi-waza (Projeção frontal)
Yoko-sutemi-waza (Projeção lateral)


 

Katame-wazaOssae-waza (Téc. de imobilização)
Shime-waza (Téc de estrangulamento)
Kansetsu-waza (Téc. de chave-de-braço)

 

Shizen-tai  Posição natural
Jogô-taiPosição de defesa

 

Fusegi (pronuncie Fusegui) Pegadas na posição de defesa
Tai-sabaki Movimentos de esquiva
Tori Ataque
Keikô  Treinamento
Kuzushi Desequilíbrio
Ukemi Quedas

 

Ritsu-i Em pé
Zempô-kaiten-ukemi Giro frontal em pé

Considerações Finais


   O judô, essa arte sutil e eficiente de defesa pessoal, hoje faz parte da cultura universal. Espalhando-se de seu país de origem, o Japão1 um produto cultural e filosófico exportado para o resto do mundo, o judô conquistou adeptos e entusiastas por toda a parte, sendo considerável a porcentagem da mocidade de todos os países que procura os professores e centros de treinamento para atingir a apreciada láurea de perícia técnica simbolizada na Faixa Preta.

   A explicação para tal aceitação e interesse é que o judô indiscutivelmente aguça a capacidade física e mental, desenvolve a interação entre o corpo e o espírito e aumenta o autodomínio, além de conferir aos seus praticantes uma segurança tranqüila em matéria de defesa pessoal.

   Há também os que levam o seu entusiasmo pelo judô a ponto de querer fazer dele um caminho, uma regra de vida, como a atividade suprema e exclusiva do indivíduo, a fim de ajudá-lo a conquistar o pleno e harmonioso domínio das suas faculdades físicas e mentais, para assim chegar a verdade.

   Observa-se também que o judô conservou e conserva muito dos costumes tradicionais japoneses Principalmente, pelo seu rico vocabulário que como a própria arte de luta, vai fazendo parte da técnica do judoca.

   Kiai!!!!! O judô mais do que prática desportiva é uma filosofia de vida. O judô talvez não nos leve ao céu, não nos faça deuses nem muito menos guerreiros imbatíveis. Mas de certo, faz-se melhor o praticante. Um lutador contra os seus próprios medos e fraquezas.

   Como uma flor de cerejeira caindo levemente sob uma tarde de outono, o judoca busca o Caminho Mais Suave para vida sublimando sua mente, corpo, alma e espírito...

Artigo elaborado por Cláudio Akio Watanabe
Aluno do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução - Letras Japonês - Universidade de Brasília - UnB