Instituições políticas

A constituição de 1947 difere da Meiji, de 1889, nos seguintes pontos: (1) o imperador, em lugar de assumir toda a autoridade, é o símbolo do estado e da unidade do povo; (2) o Japão renuncia à guerra como direito soberano; e (3) os direitos humanos fundamentais são considerados eternos e invioláveis. O poder executivo é exercido pelo gabinete, cujo primeiro-ministro é nomeado pelo imperador, depois de designado pela Dieta (Parlamento). A Dieta se compõe da Câmara de Representantes (cujos 511 membros, 200 dos quais são eleitos, segundo um sistema de representação proporcional a partir de 1994, para um período de quatro anos), e da Câmara de Conselheiros (cujos 252 membros são eleitos para um período de seis anos). Existem mais de dez mil partidos políticos registrados. Os principais são o Liberal Democrático (Jiyu-Minshuto), que dominou a política japonesa a partir de meados do século XX; o Partido Socialista do Japão (Nihon Shakaito), e o Partido para um Governo Limpo (Komeito). O Japão está dividido em 8 regiões e 47 províncias, das quais 43 recebem a denominação KEN (províncias propriamente ditas), Tokyo recebe TO (prefeitura metropolitana), Osaka e Kyoto recebem FU (províncias urbanas) e Hokkaido(distrito). O poder judiciário é independente do poder executivo e consta de um Supremo Tribunal, oito altos tribunais, um tribunal de distrito em cada província -- com exceção de Hokkaido, que tem quatro -- e numerosos tribunais para assuntos de menor importância.

Sociedade

O alto nível de vida, uma nutrição adequada e abundante, assim como o organizado sistema de saúde pública contribuíram para aumentar a expectativa de vida dos japoneses. Numerosos hospitais, clínicas e centros de saúde em toda a nação, aliados à educação sanitária nas escolas, tiveram como resultado a erradicação de doenças como o tifo, difteria e escarlatina. Em contrapartida, aumentaram as chamadas doenças da civilização moderna. Hipertensão, moléstias cardiovasculares e distúrbios psíquicos tornaram-se as principais causas de morte, junto com os acidentes de trânsito. As práticas médicas são predominantemente ocidentais, mas também se aplicam técnicas chinesas tradicionais. Os serviços de previdência social aperfeiçoaram-se notavelmente depois da segunda guerra mundial e incluem pensões por doença, aposentadoria, viuvez e orfandade, desemprego e seguro de acidentes. Desde 1961, o sistema ampara todos os japoneses. Muitas instituições privadas proporcionam assistência complementar. A escassez de habitação, um dos principais problemas políticos e sociais do Japão, tem como causas: (1) a destruição de setenta por cento das moradias nas principais cidades do país durante a segunda guerra mundial; (2) a constante elevação dos preços das residências nas grandes cidades; (3) o uso generalizado da madeira como material de construção, que exige substituição mais freqüente que o tijolo; (4) a freqüência de terremotos, tufões e inundações produzidas pelas chuvas; (5) a tendência do governo a incentivar mais o crescimento industrial do que a construção de edifícios e casas; e (6) a elevação do nível de vida, que provocou o aumento da demanda por casas melhores e maiores. Antes da restauração Meiji, funcionavam diversas instituições educativas, muitas delas influenciadas pela cultura chinesa. As escolas privadas (terakoia), principalmente nas cidades, ministravam o ensino primário. Os senhores provinciais (daimios) também criaram escolas especiais para os filhos da classe guerreira. O sistema educativo moderno foi implantado a partir de 1868 e, quatro anos depois, abriram-se escolas primárias e secundárias em todo o país. A educação gratuita obrigatória foi promulgada em 1900 e em 1908 foi fixada em seis anos. Desde 1947, a educação obrigatória compreende um período de nove anos, que começa aos seis anos de idade. O sistema educativo está organizado da seguinte maneira: os jardins de infância duram de um a três anos e são facultativos. A escola primária dura seis anos; a escola secundária três; e o bacharelado superior (não obrigatório), outros três. O ensino superior é ministrado em centros de ensino e universidades, em cursos de dois a quatro anos de duração. O doutorado exige três anos de especialização depois de obtido o título de graduação. Existem ainda escolas técnicas, em cinco modalidades. O Japão é um dos poucos países do mundo que proporcionam educação completa e gratuita para toda a população. A administração do ensino é descentralizada e o Ministério da Educação desempenha papel de mero coordenador. A responsabilidade sobre orçamento, planos de estudo e supervisão compete às autoridades locais. Os sindicatos japoneses são relativamente recentes, pois embora as organizações operárias funcionassem antes da segunda guerra mundial, foi a partir da derrota que, por influência americana, se concedeu aos trabalhadores o direito de organização, de negociar com os patrões e declarar greves. As questões trabalhistas no Japão, julgadas em função dos dias de trabalho perdidos, são mais facilmente resolvidas que em outros países industrializados, como Estados Unidos, Reino Unido ou Itália. Várias religiões coexistem no Japão, ainda que nenhuma delas tenha a grande quantidade de adeptos verificada em outros países da Ásia. Destacam-se o xintoísmo, única religião de origem nipônica, várias seitas budistas e o cristianismo. Algumas crenças novas (shinko shukio) surgiram no século XX. O xintoísmo, de caráter politeísta, elevou à categoria de deuses personagens históricos e elementos da natureza. Boa parte da população professa ao mesmo tempo o xintoísmo e o budismo. O cristianismo penetrou com as missões católicas do século XVI. Entre as novas religiões, cabe destacar a Soka Gakkai (Sociedade da Criação Valiosa), que constitui poderosa organização política.

Cultura

A longa história do Japão produziu uma cultura significativamente diferente das de outras nações, caracterizada em geral por uma mistura indissociável da tradição autóctone com formas chinesas e ocidentais. A cultura pré-histórica japonesa sofreu contínua influência da antiga China, num processo iniciado há aproximadamente 1.500 anos. A escrita chinesa também foi adotada inicialmente pelo Japão e a religião budista exerceu profunda influência na vida cultural do arquipélago. No entanto, o processo de nacionalização cultural nunca cessou, tendo mesmo se acelerado durante os 250 anos em que o Japão se manteve isolado, até 1868, quando se abriu para o mundo ocidental. O clima do Japão, por exemplo, muito mais úmido que o da China, levou à substituição do tijolo pela madeira na arquitetura. De forma similar, a escrita chinesa foi substituída em grande parte pelo silabário kana, mais adaptado às características da língua japonesa. Depois da restauração Meiji (1868), o Japão iniciou sua modernização e industrialização, conforme os modelos europeu e americano. As influências russa, britânica, francesa, alemã e espanhola são evidentes na cultura japonesa, tanto em sua literatura como em educação, artes plásticas, música, ciência, diversões e ideologia. O racionalismo, o cristianismo e o socialismo impregnaram o cotidiano dos japoneses. O uso da vestimenta ocidental em lugar do quimono está muito difundido e a música ocidental parece ser preferida à música japonesa tradicional. A milenar cultura japonesa inclui muitas formas de arte e práticas refinadas. Assim ocorre com o arranjo de flores (ikebana), a cerimônia do chá (cha-no-yu), a pintura, a caligrafia artística, a dança, a música, a arte de jardinagem e a arquitetura. Entre as diversas formas teatrais sobressaem, entre outras, o kabuki, drama estilizado com música, canto e dança, o bunraku, teatro de marionetes, o nô, drama bailado tradicional, e o gagaku, música cortesã. O cinema, que começou a ser feito no Japão ao mesmo tempo que no Ocidente, produz obras de excepcional qualidade. Nas primeiras décadas do século XX, os filmes correspondiam a dois gêneros bem definidos: o jidai geki ou histórico, e o gendai-geki ou da vida real. Cineastas como Mizoguchi Kenji, Kobayashi Masaki, Kurosawa Akira, Kinoshita Keisuke, Ozu Yasujiro, Shindo Kaneto e Oshima Nagisa são internacionalmente reconhecidos como dos maiores da história do cinema.

Fonte: Enciclopédia Britânica