História (continuação)
Período Kamakura (1192-1333)
Yoritomo, do clã vencedor Minamoto, estabeleceu um governo militar, ou xogunato, em Kamakura. Isso significou o fim do antigo sistema monárquico e o início do exercício do poder pela classe dos samurais, baseada num sistema feudal. O xogum e sua administração, o bakufu, apesar de serem a autoridade mais forte do Japão, não constituíam o governo oficial do país: na teoria, a corte imperial de Kyoto desempenhava essa função. Depois da morte de Yoritomo, assumiu o poder a família Hojo. Nesse período, o governo do país foi exercido de maneira obscura. O titular era o imperador, que se encontrava em Kyoto, mas seus poderes eram exercidos de fato por um imperador "aposentado", que costumava ser o pai do primeiro. O imperador "aposentado", por sua vez, delegava o poder ao xogum militar de Kamakura, e o próprio xogum era dominado pelo regente Hojo. Durante grande parte do século XIII, o Japão viveu em relativa prosperidade. A população aumentou, os povoados começaram a crescer e alguns se converteram em cidades. Ampliou-se o comércio com a China, com aquisição de riquezas e novas idéias. O código de honra dos samurais, de uma simples série de lealdades feudais, transformou-se em vigoroso código moral, que se manteve nos séculos posteriores. Durante a regência da família Hojo, houve duas invasões de mongóis procedentes da China, onde haviam conquistado o poder. Em ambas (1274 e 1281), os mongóis foram derrotados pelos japoneses, com a ajuda de dois violentos e oportunos furacões. O kamikaze, ou "vento divino", fez os japoneses acreditarem que eram um povo protegido pelos deuses. A derrota mongol foi de importância crucial na história japonesa e contribuiu como nenhum outro acontecimento anterior para criar um arraigado sentimento de orgulho nacional.
Xogunato Muromachi ou Ashikaga (1338-1573)
Em 1318, o príncipe Takaharu subiu ao trono imperial com o nome de Go-Daigo. Em 1333 retornou a Kyoto, fato conhecido como restauração Kemmu, e tentou recuperar o governo direto. Não obteve êxito, e a família Ashikaga estabeleceu um bakufu no distrito de Muromachi (Kyoto) com a mesma estrutura de seu predecessor de Kamakura. Nesse período surgiu uma nova classe de senhores feudais, os daimios, de base camponesa. O xogunato sofreu um progressivo enfraquecimento, que conduziu a uma sangrenta guerra civil, a guerra Onin (1467-1477) entre os partidos Kosokawa e Yamana. O confronto teve como conseqüência a extinção do poder político do bakufu. O Japão entrou, então, num período de desordem. O poder feudal dos daimios predominou nessa época, conhecida como "país em guerra".
"País em guerra" e unificação
Os daimios conquistaram um poder quase ilimitado em seus domínios e chegaram a cunhar moedas. Simultaneamente, muitos jovens se lançaram à busca de riquezas no litoral chinês. Os piratas japoneses levaram o terror aos litorais da China, Filipinas, Tailândia, Formosa, Indonésia, Malásia e Indochina. Os viquingues do Oriente, como foram chamados, encontraram, no entanto, um poderoso rival nos navios portugueses, maiores e armados com canhões. Os missionários jesuítas espanhóis e portugueses obtiveram relativo êxito na imposição do catolicismo à classe aristocrática japonesa. A penetração européia favoreceu o comércio e familiarizou os japoneses com as armas de fogo, fato importante para uma sociedade militarista. Os mosquetes que o senhor de Tanegashima havia comprado de aventureiros portugueses em 1543 multiplicaram-se com surpreendente rapidez. Entre 1550 e 1560, um dos daimios, o genial estrategista Oda Nobunaga, conseguiu dominar os demais e estabelecer um só estado. A capacidade de adaptação dos japoneses às inovações estrangeiras manifestou-se quando Nobunaga derrotou a cavalaria samurai, empregando armas de fogo. O processo de unificação continuou com seu sucessor Toyotomi Hideyoshi, que em 1590 tinha sob seu domínio todo o Japão, de Kyushu, no sudoeste, a Tohoku, no nordeste.
Xogunato dos Tokugawa (1603-1867)
Com a morte de Hideyoshi, Ieyasu, do clã Tokugawa, ganhou a batalha de Sekigahara em 1600 e conseguiu a supremacia nacional. Em 1603 fundou o bakufu de Edo (Tokyo), mais conhecido como xogunato dos Tokugawa, que durou até 1867. Uma das principais decisões do governo de Edo foi, em 1639, fechar o Japão à penetração estrangeira. A partir dessa data, somente foi permitida a entrada de navios chineses e holandeses previamente autorizados. Em conseqüência disso, a sociedade japonesa permeneceu isolada por mais de dois séculos. As características principais desse xogunato foram: (1) a auto-suficiência econômica; (2) o estrito controle da natalidade; (3) o triunfo do budismo zen entre os samurais; (4) o estabelecimento de uma disciplina feudal, em que os daimios tinham grande quantidade de "fiéis guerreiros", os samurais, que os serviam em troca de dinheiro ou de outro tipo de mercadoria, mas nunca de terras; (5) o florescimento da literatura em língua vulgar (século de Osaka, 1650-1750); (6) a criação, ao lado do teatro tradicional nô, de um teatro vivo, meio cantado, meio falado, o kabuki. Em 1853, a chegada de uma frota americana sob o comando de Matthew C. Perry a Uraga-ko foi o detonador que introduziu o Japão na era moderna.
Período Meiji (1868-1912)
Em 1868, os samurais de Satsuma, Choshu, Tosa e Saga suprimiram o xogunato dos Tokugawa com o grito de "Sonno joi" (Reverenciai o imperador! Fora os bárbaros!). O imperador Mutsuhito, que havia subido ao trono em 1868, foi encarregado de pôr em prática a modernização da sociedade japonesa, que, entretanto, não perdeu seus valores tradicionais. As transformações socioeconômicas mais importantes foram a abolição do feudalismo, a igualdade de todos os japoneses e a introdução e desenvolvimento da grande indústria e do moderno sistema bancário. Do mesmo modo, organizou-se o ensino de acordo com os modelos europeus, foram impulsionados os sistemas de comunicação e transporte segundo a tecnologia ocidental, modernizou-se o sistema financeiro, promulgou-se em 1889 uma nova constituição que consagrou a monarquia hereditária e criaram-se um exército e uma marinha potentes e modernos. As guerras vitoriosas de 1894-1895, contra a China, e de 1904-1905, contra a Rússia, elevaram o Japão à categoria de potência mundial.
Participação do Japão nas guerras mundiais
O imperador Mutsuhito (Meiji) morreu em 1912 e sucedeu-lhe seu filho Taisho ( "A grande integridade", 1912-1926). O Japão entrou na primeira guerra mundial ao lado dos aliados, de acordo com o tratado firmado com o Reino Unido, mas limitou sua participação à ocupação das ilhas alemãs no Pacífico e da península de Shandong. Entre 1918 e 1929, o governo japonês pôs em prática uma política de moderação, traduzida em redução do poder militar e da burocracia, em maior liberdade para a atividade sindical e contenção da expansão na China. No entanto, a grande depressão econômica de 1929 provocou uma virada radical nessa orientação. Os setores militaristas aproveitaram o descontentamento social criado pelo desemprego para argumentar que as leis contra a imigração nos Estados Unidos e na Europa haviam condenado à fome os japoneses e que só pela força poderiam encontrar os territórios necessários para seu excedente demográfico: a população havia crescido de trinta milhões de habitantes, no período Meiji, para 65 milhões em 1930. O resultado não se fez esperar: em 1931 o exército japonês invadiu a Manchúria. Apesar da oposição do jovem imperador Hirohito (que subiu ao trono em 1926), os militaristas conseguiram impor sua vontade. Em 1933, o Japão retirou-se da Liga das Nações e fez da Manchúria a base para o novo império asiático que pretendia instaurar. Em 1937 iniciou uma guerra não declarada contra a China. Em setembro de 1940 firmou um pacto com a Alemanha e a Itália. A entrada na segunda guerra mundial foi o passo seguinte. O ataque de surpresa dos japoneses à base militar americana de Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, obrigou os Estados Unidos a entrarem na guerra. Os primeiros meses foram favoráveis ao Japão, que se apoderou rapidamente das Filipinas, Indonésia, Indochina e Malásia. No entanto, a partir de 1943, as forças americanas começaram a vencer a guerra. As bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre Hiroxima, em 6 de agosto de 1945, e sobre Nagasaki, três dias depois, aceleraram a rendição japonesa.
Período do pós-guerra
O general americano Douglas MacArthur, chefe das forças de ocupação aliadas no Japão, recebeu o encargo de desmilitarizar e democratizar o país. A nova constituição democrática do Japão, revisada por MacArthur, foi promulgada em 3 de novembro de 1946 e entrou em vigor em 3 de maio de 1947. Em 1951 firmou-se a paz com o Ocidente e no ano seguinte o Japão recuperou sua soberania. Reduzido aos limites que tinha antes do período Meiji e sem a obrigação de sustentar a máquina militar, o país apresentou notável crescimento econômico. O superávit comercial converteu-o em potência financeira. A vida política japonesa viu-se dominada, entretanto, pelo Partido Liberal Democrático, que governou com uma sucessão de primeiros-ministros a partir de 1955. Entretanto, os escândalos financeiros e pessoais em que se viram envolvidos alguns deles, como Tanaka Kakuei -- que teve que deixar o poder em 1974 -- e Takeshita Noboru -- que renunciou em 1989 --, fortaleceram a oposição. Como reação, o Partido Liberal Democrático decidiu apoiar uma nova geração de políticos, liderada por Kaifu Toshiki. Nesse mesmo ano morreu o imperador Hirohito, que foi sucedido por seu filho Akihito. Em 1993, pela primeira vez desde 1955 assumiu a chefia do governo um primeiro-ministro não pertencente ao Partido Liberal Democrático -- Hosokawa Morihiro, do Novo Partido Japonês.