Realçando a beleza natural
Enquanto o domínio de qualquer arte requer uma longa prática com um professor qualificado, há um ponto básico sobre os quais os professores de todas as escolas concordam. Primeiro, é preciso levar em conta que op que as plantas parecem no seu estado natural é o ponto de partida para qualquer trabalho. Uma vez cortadas e removidas da natureza (ou estufa) tornam-se materiais para uma composição com se caráter próprio e singular. Ao examinar os materiais, deve-se observar a forma na sua totalidade em vez dos detalhes mais atraentes. Com as camélias, por exemplo, é o ramo completo, e especialmente as folhas, que são mais importantes e não as flores, que podem ser removidas de sua posição natural e reajustadas em um lugar onde serão mais efetivas na forma geral do arranjo. O ato de curvar pode conferir aos ramos uma curva agradável, mas pode também servir para endireitar ramos arqueados. A remoção de detalhes desnecessários é uma habilidade essencial e aparar os galhos deve ter por objetivo enfatizar a beleza da linha. A remoção de alguns botões de ramos de cerejeira, ameixa ou pêssego serve não só para revelar a linha, mas também para realçar a beleza dos botões remanescentes.
Todos os materiais naturais também podem ser usados como linha, superfície, cor ou massa. Uma grande folha, pó exemplo, tem uma superfície poderosa, mas também pode ser mostrada de perfil para funcionar como uma linha. Todas as flores têm uma "face" que é orientada numa direção específica. Ao colocar a flor, deve-se considerar se ela deve ser mostrada de frente, de perfil ou voltada para o lugar oposto do observador. As flores são geralmente usadas com suas folhas, mas as folhas de um íris ou narciso são muitas vezes separadas do talo, reagrupadas em conjuntos mais agradáveis, e depois reunidas com a flor para dar uma aparência que é ao mesmo tempo "natural" e efetiva como elemento na composição.
O arranjo floral tipicamente japonês (ikebana) data do século XV. Em sua forma básica, o arranjo ikebana segue um padrão fixo: um triângulo cujos vértices representam o céu, a terra e o homem. Ênfase é dada à perfeição de linhas, à harmonia das cores, ao espaço e à forma. Cada arranjo contém a natureza em todos os seus aspectos, dando singular valorização ao natural.
Há muitos estilos de ikebana, com diferentes filosofias por trás de cada um, cada qual segue suas próprias regras e técnicas de arranjo, sem perder de vista o essencial da arte. Alguns estilos são extremamente simples, outros são mais extravagantes. Hoje em dia, há mais de 3000 escolas de ikebana, com mais de 15 milhões de estudantes.
A ikebana é, portanto, mais uma importante expressão artística japonesa, onde podemos perceber é penetrar no pensamento de seu povo, por meio da unidade com a natureza e compreender um pouco mais de sua relação com o universo.
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Artigo elaborado por Alessandra Freire Magalhães de Campos |