IKEBANA

Origem e Desenvolvimento

   A diversidade da paisagem natural do Japão e a maneira campesina de vida proporcionaram condições para o desenvolvimento da ikebana. Uma influência decisiva foi à introdução do Budismo, a partir da China no século VI e, com ele, o costume de oferecer flores (kuge) ao Buda e às almas dos mortos. A arte do arranjo floral começou a prosperar na época Muromachi. Havia uma tradição de arranjo de flores em vasos, mas agora as flores começavam a ser dispostas de modo a aumentar a apreciação dos vasos. Foi Ikenobo Senkei que introduziu o arranjo floral na sala de chá. Como era de se esperar, a decoração floral em sala de chá não devia produzir um efeito de beleza elegante, mas sim expressar pureza e simplicidade em um esforço para penetrar as profundezas da natureza.

A oferta tomou a forma de uma composição simples e simétrica de três hastes, mas, no século XVII, tinha evoluído para um estilo chamado rikka, literalmente "flores em pé", criado por monges budistas das escolas ikenobo. Esta forma elaborada de arte era feita em vasos altos de bronze e exigia um alto grau de habilidade técnica. O ramo principal, simbolizando o céu ou a verdade, era geralmente assimétrico, pendendo para a direita ou para a esquerda antes de sua parte superior retornar para o eixo vertical central. Muitos outros ramos, cada um com seu significado simbólico e função decorativa, emergiam de uma esfera imaginária central. Como um todo, uma obra de rikka era um microcosmo que representava todo o universo através da imagem de uma paisagem. As características principais - assimetria, simbolismo e profundidade de espaço -viriam a exercer uma forte influência nas tendências futuras.

Contrastando fortemente com rikka, a austera chabana, literalmente "flores de chá", teve origem como parte da cerimônia do chá (cha-no-yu), no século XVI. Composta de uma ou duas flores ou galhos num pequeno recipiente, chabana tornou-se a base de um estilo espontâneo denominado negeire, significando "arremessar em", que era feita num vaso alto com poucos materiais, e utilizava meios técnicos sutis para produzir uma evocação simples e poética de beleza natural. Rikka e negeire definem uma espécie de contraponto na história subseqüente da ikebana. Por um lado, havia uma ênfase na técnica elaborada, escala grande simbolismo e estilos fixos. Por outro lado, havia espontaneidade, simplicidade e respeito pelas características naturais dos próprios materiais. A tensão entre os dois conduziria a todas as inovações na arte.

O mundo natural do Japão sempre proporcionou belíssimas flores em todas as estações; sua beleza tem enfeitado a singela vida cotidiana das pessoas em todas as idades. Em certa época na vida do povo japonês, esta beleza chegou a ter significado espiritual. Durante o período Edo (1600-1869), o Japão gozou de paz interna e crescimento econômico estável. A ikebana, até então uma arte exclusiva dos monges budistas, membros da Corte e aristocracia, começou a ser praticada mais amplamente pelos samurais, comerciantes ricos e outros, inclusive mulheres. Durante esse período, o estilo rikka tornou-se rígido e formalizado, e aparece um estilo mais simples chamado seika ou shoka - ambos escritos com os mesmos caracteres chineses -, significando "flores vivas" e que ganhou cada vez mais popularidade. Embora ainda um tanto formal, o seika usava uma composição de três hastes, baseada num triângulo assimétrico ou escaleno. Muitas escolas novas promoviam suas próprias versões, mas os três ramos tornaram-se unanimemente conhecidos como: ten (céu), chi (terra) e fin (ser humano). As variações desta forma tornaram-se a base de todas as instruções de ikebana, mesmo nas escolas mais modernas.

   Outro desenvolvimento importante durante este período foi o surgimento de arranjos inspirados na literatura (bunjin-bana), que refletiam a sensibilidade dos sábios e pintores chineses. Os arranjos bunjin-bana tiveram uma forte influência no estilo nageire, que havia se desenvolvido a partir da chabana. Uma vez que o bunjin-bana era praticado como uma forma de expressão pessoal, os arranjos tinham um caráter casual que era bastante diferente da austeridade da casa de chá, ou da formalidade do rikka ou seika. Além disso, as origens chinesas adicionaram uma nova riqueza de cor e variante literária.

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