
A
espadajaponesajá teve altos e baixos em sua história e pensou-se
muitas vezes que ela fosse desaparecer, mas hoje a arte da fabricação
das espadas está talvez mais viva do que jamais esteve.
A espada sempre teve um valor importante na sociedade japonesa, seja como a arma de um samurai e o seu símbolo de poder e status até o fato de se acreditar que o espírito do samurai vivia nela. Outro fato importante é a representação do poder do imperador pela espada que ele recebe quando é empossado, segundo a lenda a espada foi dada pelo deus do sol, Amaterasu Omikarni ao seu neto, Ninigi-no Mikoto, quando este foi enviado para reinar na terra.
A espada é um símbolo da cultura japonesa e por isso protegido pelo governo com leis e seus tesouros vivos, é um objeto de arte único que cada vez mais atrai a atenção do ocidente e que deve continuar a existir e expandir por muito séculos.o
Há
apenas quarenta anos, acreditava-se que o oficio da criação de
espadas japonesas estava fadado ao fim. Durante a ocupação americana
no Japão do pós-guerra, os japoneses foram proibidos de fabricar
ou de portar qualquer tipo de arma, inclusive espadas. Suas espadas foram confiscadas
e destruídas em sua maioria, e outras foram levadas pelos americanos
como souvenires. Os cuteleiros foram obrigados a procurar novos ofícios
e com isso privaram gerações de absorver conhecimento sobre este
oficio e pela primeira vez no Japão cessou a fabricação
das espadas, exceto por algumas espadas feitas exclusivamente para rituais e
ocasiões publicas.
O ofício sobreviveu a este período negro. Em 1953 depois que os americanos deixaram o Japão a proibição da fabricação das espadas foi retirada. Alguns cuteleiros da chamada "geração perdida" retornaram ao trabalho e com eles uma nova geração de aprendizes começou a surgir. Graças aos seus esforços o oficio emergiu novamente e na década de 80 ele está possivelmente mais ativo do que jamais esteve ao longo de vários séculos.
Todo este ressurgimento é fantástico, ainda mais para uma arte que é controlada pelo governo, aonde o número de espadas fabricadas por cada cuteleiro é limitada e aonde os aprendizes devem ter um número mínimo de anos de aprendizado com um professor licenciado para poder exercer o oficio.
A tecnologia que levou ao desenvolvimento das espadas japonesas, provavelmente originou-se na China e chegou ao Japão através da Coréia. As espadas japonesas estão divididas em relação ao período em que foram feitas, está divisão é a seguinte: Espadas Koto ou Primeiras Espadas, Shinto ou Novas Espadas e Gendaito ou Espadas Modernas.
A tecnologia que levou ao desenvolvimento das espadas japonesas, provavelmente originou-se na China e chegou ao Japão através da Coréia. As primeiras espadas encontradas no Japão datam do século quinto.
Estas espadas chamadas chokuto são retas e possuem apenas um lado com
corte. Algumas foram polidas e claramente feiras a mão. Acredita-se que
essas espadas foram feitas na China. Algumas delas são tão finas
que quando colocadas em paralelo ao chão entortam com seu próprio
peso, acredita-se que eram utilizadas apenas em cerimoniais e não em
batalhas.
Foi a partir do período Heian (794-1185), que ouve um grande avanço das técnicas do trabalho com o metal no Japão, e é a partir desse período que pode-se falar das espadas japonesas. Nesta época os guerreiros lutavam em cima de cavalos e por isso suas espadas eram longas. Além de longas elas eram curvadas, com uma base mais larga e forte até uma ponta bem fina. As espadas dessa época são chamadas de tachi e representam a é categoria das antigas espadas chamadas Koto, ou seja "espada antiga".
Neste período as inscrições nas espadas derivam de motivos
Budistas, o que mostra a ligação forte do cuteleiro com a religião
e com o seu trabalho.
No período Kamakura (1185-1333), o Japão estava sob o domínio
de uma classe de guerreiros e por isso esta época é considerada
a época de ouro da espada japonesa. Nesta época surgiu um novo
estilo de espada o tanto, que era uma espada pequena desenvolvida para ser usada
com apenas uma mão, em lutas corpo a corpo a pé.
No período Nanbokucho (1333-1392) a fabricação de espadas estava dividida em 5 escolas: Bizen, Yamashiro, Yamato, Mino e Soshu. Essas escolas são chamadas de Gokaden, as cinco tradições. A maioria das espadas do Japão é classificada como pertencentes a alguma dessas escolas.
No período Muromachi (1392-1568) ainda haviam no Japão varias lutas internas, a produção em massa de espadas fez com que a qualidade caísse, desenvolveu -se também neste período uma espécie de faca chamada uchigatama, pequena e curvada era perfeita para lutas em pequenos ambientes.
Com o fim do período Muromachi e o começo do período Momoyama
a principal evolução observada com relação as espadas
foi a utilização pelos samurais de um par de espadas, sendo uma
menor chamada de wakizashi e outra maior chamada de katana. Estas espadas apresentam
características diferentes das espadas Koto, como o brilho e a textura
do metal e é por isso que estas espadas não se encaixam nas cinco
escolas do Gokaden e por isso algumas vezes são consideradas como pertencentes
a uma sexta escola, a Shinto ou Nova Espada. Nesta época ao invés
dos cuteleiros ficarem fixos em um localidade, eles seguiam com os exércitos
para estarem disponíveis sempre que necessário. Foi a partir deste
período que a arte da espada japonesa sofreu duros choques. O Japão
se unificou internamente e foi instituída uma lei proibindo os camponeses
de possufrem espadas, além disso a inflação e a queda na
qualidade do aço produzido fez com que as espadas caíssem de qualidade
e fez também com que os cuteleiros aumentassem as suas produções
fazendo espadas medíocres.
Em 1876, após a restauração MeUi a classe dos samurais foi formalmente abolida, com isso muito acreditaram que a construção de espadas estava fadada ao fim, mas o interesse pelas espadas como arte começou a crescer e com isso alguns cuteleiros foram capazes de manter as suas produções
Espadas feitas a partir da era Meiji são chamadas de espadas modernas ou Gendaito. Essas espadas foram muito influenciadas pelos militares japoneses, foram feitas muitas delas para oficiais japoneses. Estas espadas apesar de possufrem as mesmas formas de uma espada tradicional, não possuem as suas características principais, ou seja, o fato de serem feitas a mão e com um aço não industrial. Hoje essas espadas não são registradas pelo governo japoneses e muitas vezes o governo pede para que elas sejam eliminadas.
A espada japonesa não é apenas uma lãmina de metal, mas
sim uma união de diversas características que a tornam muito especial
e uma obra de arte única, as principais características que devem
ser observadas em uma espada japonesa são:
Conhecendo-se a forma da espada, consegue-se saber para que fim ela foi desenvolvida, o período e de que escola ela deriva. Pelo fato de ser feita à mão sua forrna pode ser considerada única.
O Hamon é o padrão de cores que existe na lamina da espada. Sua
função é apenas estética, mas requer uma técnica
muito especial para a sua construção. Para criar o padrão
o cuteleiro o desenha na lãmina com um ti~o de barro e então aquece
a lãmina até uma certa températura e então a esfria
em água. E graças a capa de barro que o metal é resfriado
de forma desigual criando assim os belos padrões.
Assinatura do cuteleiro
O cuteleiro quando termina uma espada e esta atingiu todos os padrões de qualidade exigidos por ele, então este satisfeito assina o seu nome no tang da espada, que é a empunhadura da lâmina, aonde não foi polida. No tang, além da assinatura, podem estar escritas outras informações como o ano de fabricação.
A qualidade do aço está muito relacionada com o período no qual a espada foi feita e com os recursos utilizados para a fabricação do aço. Como exemplo as espadas Koto possuem um tom cinza escuro, já as espadas Shinto possuem um tom mais claro.
É o projeto visível do grão do aço da espada, ou seja, a textura presente na lâmina. É oresultado da maneira que a espada foi dobrada durante o forjamento. Hada pode ser dificil para que o novato interprete e é obscurecido facilmente por uma lâmina deficientemente lustrada que seja manchada ou oxidada.
Para a completa construção de uma espada e de todas as suas partes
são necessárias muitas etapas que vão desde a criação
do aço utilizado até a construção de sua bainha.
Hoje muitos cuteleiros se especializaram em algumas etapas da criação,
ou seja, um cuteleiro faz a lâmina, outro é responsável
pelo polimento, outro pelo habaki e outro pela bainha, isso faz com que a espada
seja o mais perfeito possível em todas as suas características.
É a primeira e mais importante etapa da fabricação da espada. O tamahagane, que é o aço japonês, é feito em pequenas fundições chamadas tatara. Este aço chega ao cuteleiro em uma forma meio bruta, aonde este refina o aço até o estado desejado.
É neste estágio que a espada começa a tomar forma, o bloco
de metal começa a tomar forma e chega a ser dobrado dezenas de vezes
até atingir o ponto exato do cuteleiro. Ê neste estágio
que se coloca a jaqueta de metal mais duro na lâmina.
O cuteleiro praticamente raspa a espada para retirar algumas imperfeições.
Depois de retiradas quaisquer imperfeições, o cuteleiro prepara para ser usado na criação do Hamon. Nesta etapa a espada com o barro é aquecida rapidamente resfriada. É a variação na temperatura do barro com o metal que desenhos do Hamon.
Estas etapas são realizadas logo após o Hamon
Os sulcos são feito paralelamente a lãmina cortante. As figuras decorativas são escavadas na lãmina e possuem temas variados como dragões, flores e temas relacionados a Buda.
O cuteleiro dá forma ao Tang e se o trabalho for considerado bom, assina seu nome no Tang. Além do mais, caso queira, poderá colocar data e outras informações.
O polimento pode ser considerado uma arte por si próprio, requer muita técnica e atenção. Um polimento mal feito pode estragar todo o trabalho anterior. E no polimento que a lãmina mostra toda a sua beleza, são usados diversos tipos de pedras para amolar, entre as quais várias de tamanho mínimo.
Após o polimento da lâmina, esta já está pronta para receber o Habaki, que é uma peça de metal decorado que é colocado como um separador entre a lâmina polida e o Tang. O Habaki, além de decorar a espada, tem a função de manter a lãmina fixa na bainha, sem deixa-la escorregar. O Habaki é muitas vezes ornamentado com ouro e cobre
A bainha da espada japonesa é feita da madeira de uma árvore chamada Ho. A bainha consiste de duas peças de madeira que são talhadas internamente na forma da espada, e então unidas. Depois de unidas a bainha é polida e está pronta para ser decorada. A empunhadura também é feita do mesmo material da bainha, e além disso ela também segue a mesma forma da bainha.