EDUCAÇÃO NO JAPÃO

 

Antecedentes históricos

             Com a finalidade de proporcionar uma compreensão mais apurada do atual sistema de ensino do Japão, é necessário vislumbrar um panorama histórico com alguns acontecimentos que permearam a evolução educacional neste país. Para tanto, serão apresentados, a seguir,  fatos relevantes dentro de tal processo.

           

I. A Educação no Japão Antigo

O aparecimento da escrita no Japão data do século VI, ou antes deste período, proveniente do sistema chinês e conduzida ao arquipélago pelos coreanos. Vale notar que o domínio da escrita, com a introdução do kanji, contribui de forma cabal para o desenvolvimento da cultura do povo japonês. Assim, certas práticas culturais - rudimentos de medicina, os empregos do calendário e da astronomia e a filosofia do confucionismo - são  assimiladas pelo povo japonês como decorrência do uso da escrita chinesa.

 Em 701, as primeiras escolas oficiais para treinar funcionários do governo são  estabelecidas de acordo com o código Taihô. Segundo este, dois tipos de escolas destinam-se à nobreza: as daigakuryo, que educam as crianças da nobreza na capital, e as kokugaku, que educam os filhos dos nobres nas províncias.

"No período Nara, o sistema de ensino limita-se à escola de estudos superiores na Capital e colégios nas províncias. Todos esses estabelecimentos de ensino se destinam a ensinar a doutrina de Confúcio, com o objetivo precípuo de formar funcionários de governo. São freqüentados por filhos de nobres na metrópole e de governadores provinciais e outros elementos de projeção nos colégios regionais." (YAMASHIRO, 1986:59).

 

Observa-se um intenso processo de nacionalização cultural durante o período Heian (794-1185), cujo fator preponderante é a criação de uma escrita essencialmente japonesa, a partir do uso dos alfabetos fonéticos (kana). Um outro aspecto que se pode verificar no campo da educação é o estudo do confucionismo como disciplina mais exigida do ensino superior.

Em ambos os períodos citados, a aristocracia tem como base educacional o pensamento confucionista e budista. Pode-se perceber, portanto, a importância da religião no Japão antigo, haja vista serem  os monges  budistas1 os primeiros professores, e os templos se funcionarem como centros de aprendizagem.

 

II. A Educação no Japão Feudal

 

O poder político passa a circular nas esferas das classes samuraicas do interior a partir do estabelecimento do xogunato Kamakura, em 1192, e o ensino estende-se à classe militar. Concomitantemente à popularização do budismo, os camponeses passam a ter amplo acesso à educação.

"A universidade da capital (daigaku) e os colégios das províncias (kokugaku), criadas pelo regime Ritsuryô, perdem sua eficiência e entram em decadência no período Kamakura. Os estudos, transmitidos de geração a geração, nas famílias nobres, não passam, agora, de simples ocupação familiar, sem maior interesse por parte de quem a exerce.(...) Por outro lado, os filhos de samurais passam sua infância nos templos, estudando com os bonzos." (YAMASHIRO, 1986:92).

 

Inicia-se em 1338, o período Muromachi, marcado por intensa religiosidade. A educação elementar das crianças passa a ser promovida por templos budistas e santuários xintoístas que desempenham importante função social. Realizam-se, nesta época, cursos da doutrina de Confúcio e estudos de clássicos nipônicos, bem como a edição de obras importantes e estudos de obras chinesas.

A inserção do cristianismo no Japão se dá em 15492, momento de decadência do budismo e de grande ebulição interna no país. Vários daimios (senhores feudais) convertem-se à religião ocidental e os missionários jesuítas edificam colégios onde ensinam português, latim e o Evangelho. Missões cristãs enviadas ao Japão no século XVI fundam tanto escolas de educação geral quanto vocacional.

____________________________

1 - O budismo foi inserido no Japão por volta de 538.

2 - O jesuíta português Francisco Xavier introduziu o cristianismo no Japão.