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INFLUÊNCIAS ZEN
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Embora, sem dúvida, existam relações históricas entre o Zen-budismo e as artes marciais japonesas, sua ligação espiritual evidentemente nunca foi completa. a tentativa de usar a associação histórica para inspirar as artes marciais com a dignidade do Budismo pode muito bem constituir um exemplo perfeito da arte clássica de desorientação estratégica. Portanto, pode parecer estranho que, apesar da influência reconhecida do Zen sobre a cultura e a personalidade japonesas, praticamente não foi feita nenhuma análise crítica do Zen no Japão moderno. A transmissão de conhecimento
a respeito do Zen e da cultura japonesa ao Ocidente é um tema cuja
importância vai muito além da esfera da história intelectual
e do caráter aventureiro da religião, devido às necessidades
criadas pelas relações políticas e econômicas
no mundo moderno. Esse tema tem sido estudado até certo ponto,
mas sem as informações necessárias para uma análise
crítica que teria de considerar aquilo que não foi transmitido,
e também o que foi, e aquilo que foi corretamente transmitido,
em comparação com o que sofreu distorção no
processo. |
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CONCLUSÃO
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A luta armada no Japão era originalmente domínio dos clãs aristocráticos. Esses clãs consideravam-se descendentes de uma destas três fontes: achavam que eram descendentes diretos de divindades, descendentes diretos de antigos imperadores do Japão ou descendentes diretos da nobreza chinesa ou coreana. O clã imperial pertence à primeira categoria, pois é tido como descendente direto de divindades. Esse clã em particular é associado à Deusa do Sol, que recebeu precedência no panteão xintó, com a ascensão desse clã e de seus aliados no Japão antigo. Sua mitologia é a base do estado xintó, versão imperial da religião japonesa nativa. Elementos zen-budistas do código do guerreiro japonês provêm originalmente da época em que o Zen entrou em voga entre os clãs samurais, graças ao incentivo dos shoguns. O Neoconfucionismo também foi transmitido aos guerreiros pelos primeiros zen-budistas, mas provavelmente apenas por ocasião do estabelecimento do Neoconfucionismo como ortodoxia do Estado, no século XVII, é que esse elemento passou a predominar nos códigos samurais do Bushidö. Existe o lado interior (ura) e o exterior (omote) de toda a foram de cultura japonesa. Portanto, questões como o "lado" são tão importantes quanto questões como a essência nas interações sociais, comerciais ou políticas. O que externamente se torna o aspecto mais visível de qualquer forma de cultura japonesa, seja o Zen, as artes marciais, seja qualquer outro aspecto dessa civilização, em geral constitui a versão mais comercializada e/ou politizada, e não necessariamente a mais refinada ou autêntica. A frente mais óbvia não é a medida do que supostamente representa, embora a existência de fachadas seja um fato inevitável quando se trata de lidar com a cultura japonesa como uma realidade política. Enquanto um aspecto da manobra estratégica, as formas exteriores, comercializadas e politizadas da cultura pertencem à categoria do comportamento japonês derivado da "arte da vantagem" desenvolvida pelos militaristas. A substituição
da excessiva generalização e dos clichês por informações
autênticas e pela análise crítica é em si mesma
uma "arte de guerra" comum. Seu uso para lançar as emoções
das nações e culturas umas contra as outras é também
uma arte da guerra, que dissimula uma posição subjacente
de natureza diversa. Foi o discernimento intuitivo impessoal que caracterizou
o Zen-budismo original não-cultural, e não o tipo de compreensão
intercultural superficial que confunde o exterior com o interior, que
é capaz de diferenciar essa oposição fundamental
entre os que exploram e ignorância e os que precisam do conhecimento.
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