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BUSHIDO E CRISTIANISMO: ENCRUZILHADA
ÉTICA
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Escritores, seja nas esferas de ação missionária, comercial ou política, via de regra têm uma história de tentativas malogradas de convencer o povo japonês a adotar o que eles consideram sensato e ético. Como resultado, alguns japoneses também têm aprendido a dizer aos ocidentais, quando é conveniente para os seus propósitos, que por natureza não são um povo ético nem sensato. As idéias filosóficas são notoriamente sujeitas a interpretações e aplicações variadas, o que amplia mais o espectro de influência que as religiões podem exercer sobre as sociedades, indo muito além de seu propósito original, Tomar as generalizações e os clichês a respeito da cultura japonesa por seu significado manifesto, ou toma-lo por sua capacidade de atração ou repulsão, pareceria acima de tudo um convite à derrota na arte da vantagem num plano realmente muito simplista. Certamente, os mitos da dificuldade do idioma japonês e da impenetrabilidade do pensamento japonês contribuíram acima de tudo para a sua própria legitimidade. O pensamento cristão tende a tornar absolutas estruturas particulares de bem e mal como leis de Deus; o pensamento budista lida com a relatividade do bem e do mal. Acredita-se ser esta uma razão para a flexibilidade da moralidade japonesa conforme é aplicada a situações de vida, em comparação às concepções ocidentais da ética originárias do dogma cristão. Para os budistas o bem e mal dependem das condições incluindo a época, o local e as pessoas envolvidas. Segundo essa filosofia, o bem e o mal dependem do contexto global, sua existência e características específicas relativas a diferenças individuais nas experiências subjetivas e objetivas a esse respeito. A família é a sede tradicional da civilização e de suas instituições no Oriente. No seio da família é que a pessoa começa a ser instruída nos sentimentos que devem ser o vínculo entre ela e a sociedade e que se tornaram o cimento da própria sociedade.Enquanto o cristão recita a máxima "Honra teu pai e tua mãe" como um mandamento do Deus supremo, o japonês entende os sentimentos familiares como um dever racional inerente à natureza da sociedade. |