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CAPÍTULO 2
| 2.1- SURGIMENTO DA ARQUITETURA
JAPONESA (continuação) |
Os reinos eram separados por montanhas íngremes, com densas
florestas, e a énica comunicação entre eles era por mar ou por rio. Assim,
para controlar e unificar os reinos, Yamato precisou de uma frota de embarcações
de guerra. A frota foi construída por um grupo de fabricantes de embarcações
chamado Inabe, Os Inabe mais tarde se dedicaram a construções em terra
firme. Eles construíram os palácios dos reis Yamato e as cidades durante
a formação do Estado antigo no século VIII, inclusive o Templo de Todaji,
em Nara, a maior estrutura de madeira do mundo preservada até a atualidade
(o atual Todaji data do século 17; o original era consideravelmente maior).
Se a cultura foi a estrutura e transporte, o meio pelo quais as cidades
dominaram e controlaram o campo, pode-se dizer então que os Inabe eram
os artesãos que sustentaram esse processo. Pode-se até dizer que a arquitetura
japonesa estava construindo "embarcações" em terra firme.
Os
imensos mausoléus em forma de buraco de fechadura eram o símbolo
dos poderosos reinos Yamato. Apesar de imensos, eles eram apenas alguns
dos 3.000 mausoléus em forma de buraco de fechadura construídos
em todo o país. Este formato era, assim, inapropriado para a existência
transcendental que mais tarde seria chamado de Tenno ou imperador. O Santuário
Ise, símbolo do sistema imperial e arquétipo da arquitetura japonesa,
foi construído no século VII, num período em que o Japão estabeleceu
sua estrutura antiga de Estado, adotando o sistema político da China
de Tang, o equivalente oriental do Império Romano.
 O
santuário Ise compreende dois terrenos; embora o prédio de um dos terrenos
ainda seja bastante funcional, uma estrutura secundaria idêntica ergue-se
no outro terreno. A cada período de 20 anos, realiza-se uma cerimãnia
para a remoção da divindade da velha estrutura para a nova. Foi assim
levado para a atualidade um tipo primitivo e efêmero de arquitetura que
consiste em uma cobertura de palha e pilares simplesmente fincados no
solo. Isto representa um claro contraste em relação aos kofun: nestes,
o morto sendo reverenciado está uma unidade com a terra e é dada ênfase
à morte e ao eterno. O assoalho elevado do Santuário Ise, por sua vez,
propicia a separação do solo. É dada ênfase à vida, visto que é constantemente
reconstruído e recriado. Além do mais, há uma notável diferença nas próprias
técnicas utilizadas.
Na Grécia
e em outras áreas da Europa antiga, onde imponentes castelos deram
origem a cidades, o conceito de arquitetura abrange tanto a construção
de prédios como a engenharia civil e a tecnologia militar - um antigo
exemplo disso são as pirómides do Egito. No Japão, porém, a construção
de castelos e de imensos témulos não era considerada necessariamente
arquitetura. A palavra japonesa para este tipo de construção apresenta
dois ideogramas ( )
referentes a "madeira" e "terra", respectivamente, com significado bastante
diferente de "arquitetura". Normalmente, ela é traduzida como "engenharia
civil", mas pode ser mais bem vertida a um conceito de "agronomia". A
principal característica que distingue a arquitetura japonesa são
seus vínculos intrínsecos com a construção de embarcações
e a tecnologia de madeira.
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