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ARQUITETURA
JAPONESA
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CAPÍTULO 2 A ARQUITETURA JAPONESA
O arquipélago japonês apresenta íngremes cadeias de montanhas formadas por atividades geológicas ainda em andamento. As planícies, com efeito, acumulações de resíduos de montanhas carregadas através de vales profundos que rios de forte correnteza cavam nas montanhas. A temperatura por volta de 5.000 a.C. era aproximadamente 4 graus centígrados superior à atual. O nível do mar era vários metros mais elevado, fazendo com que o oceano avançasse mais terra adentro do que atualmente. Depois, porém, a temperatura subitamente caiu, o litoral retrocedeu, o solo acumulou-se nos baixos e as planícies de aluvião se formaram. O cultivo de arroz começou aproximadamente no ano 3 a.C., aparecendo então as primeiras construções com piso elevado a telhado de duas águas, que mais tarde se tornariam características da Corte Yamato. Contudo, as pessoas comuns continuavam a habitar fossas, cujo formato quadrangular com quatro pilares e cantos arredondados se tornou padrão na maior parte do país. Quase simultaneamente ao início da prática da agricultura, o país inteiro era destroçado por guerras. Comunidades agrícolas escavaram valas e construíram paliçadas em torno de suas aldeias e mais tarde as descolaram para áreas mais elevadas em busca de proteção. Na Grécia e em outras regiões da Europa da antiguidade, essas povoações elevadas se desenvolveram até se transformar em cidades, mas no Japão elas acabaram sendo abandonadas e usadas como áreas para imensos mausoléus reais. Acredita-se que, entre os séculos IV e VI, foram construídos em todo o país até 20.000 desses mausoléus, chamados kofun. Isso em geral não se encontra em países asiáticos vizinhos e, na verdade, raramente é visto em qualquer outra parte do mundo.
As constantes cheias durante este período e a consequente expansão das planícies de aluvião tornavam o cultivo de arroz uma batalha constante contra as inundações, acima das forças de comunidades isoladas. Além do que, em contraste com o Oriente Médio e o Oriente Próximo, onde o desenvolvimento ocorreu em vastas planícies de bacias de grandes rios, as planícies japonesas eram divididas em numerosas áreas pequenas entre os rios e o mar. Os habitantes dessas áreas formavam grupos que dependiam do mar e dos rios como linhas naturais de defesa. Praticou-se a agricultura, com um controle sistemático de inundações sob a regência do soberano de cada uma das áreas. Os kofun espalhados pelo Japão indicam a existência dessas comunidades naquele período. No Oriente Próximo e no Oriente Médio, por sua vez, a necessidade de um trabalho sistemático de controle de inundações em imensa escala deu origem a Estados autocráticos, de que prestam testemunhos gigantescos monumentos como as pirómides do Egito e os zigurates da Mesopotómia. Embora se saiba que o mausoléus de Nintoku e Ojin também estivessem associados ao controle de inundações, o Japão não era um Estado autocrático e sim um amálgama de pequenos Estados; a história teve início com as alianças estabelecidas entre eles. |