ANIME

 

ANIME TAMBÉM É CULTURA !!!

 

A estética do anime é singular. Olhos grandes e expressivos chamam a atenção. O porque disso, segundo especialistas, é que os olhos são considerados o espelho da alma. Assim sendo, os olhos do desenho devem refletir o que vai por dentro do personagem, ou simplesmente aquilo que ele está sentindo. O realismo dado à retratação da vida é outra característica marcante. Isso porque o sofrimento é visto pelo povo japonês como algo a ser encarado e não minimizado. O personagem deve vencer as adversidades, seus próprios medos e fraquezas. E ao contrário do que possam pensar, amime não é algo só para crianças. O enredo das histórias nada tem de infantil. Possuem, em sua maioria, tramas bem elaboradas e complexas.

Segundo Antonia Levi, autora do livro Samurai from Outer Space, é impossível entender a animação japonesa sem o conhecimento das crenças e costumes japoneses. De fato, é uma verdade. Dos teatros Nou, Kabuki e o de bonecos Bunraku, vem as poses heróicas e o ressaltamento e destaque dos momentos dramáticos. Dos contadores de histórias, os kamishibai, que entretinham as crianças com histórias e figuras, o anime tirou sua narrativa efetiva e a habilidade de apresentar velhos contos e histórias em contextos modernos. Já do teatro Takarazuka, tirou o estoque de idealizadas formas femininas e masculinas, bem como a sentimentalidade inalterável e o senso de melodrama. Outra característica do anime é de dar preferência ao irreal, que caracteriza também os teatros Nou, Kabuki, Bunraku e Takarazuka. Para os japoneses, o irreal pode capturar a essência da realidade melhor que a própria realidade, pois é uma questão mais universal do que individual.

Fato que chama a atenção é a presença de um efeito chamado de distância estética, presentes no drama e anime japoneses. Esse efeito consiste em sempre lembrar a audiência, os telespectadores, de que por mais real e verossímil possa ser, aquilo que estão assistindo é irreal, fictício. Exatamente o contrário do drama e das produções ocidentais, que tentam a todo custo, envolver e convencer completamente a audiência de que o que eles estão vendo é real. Isso não significa que os japoneses não desfrutem ou se envolvam com os animes. Eles deixam-se envolver pelos seus encantos. Mas raramente confundem suas experiências reais e com as vividas na ficção. Isso talvez explique o porque da nação japonesa continuar relativamente pacífica e livre de crimes, tendo uma imensa quantidade referências de violência em sua TV.

Nos animes está presente também o simbolismo. São tantos os símbolos usados para indicar vida, morte, sexo, estados de espírito, entre outras coisas, que aquele que não estiver familiarizado com a cultura ou deixará passar despercebido ou terá outras interpretações das cenas. Mudanças das estações do ano, sangue explodindo em todas as direções, casas antigas, sons, feriados e mesmo o cair das folhas de cerejeiras podem constituir significados jamais imaginados pelos ocidentais. No Japão, as folhas de cerejeira, por exemplo, são também associadas com a morte e com o conceito de mono no aware. É uma idéia de que nada é tão belo como algo que está prestes do fim. São consideradas belas não apenas pelo visual, mas também porque duram muito pouco. Os pilotos kamikaze, na Segunda Guerra mundial, eram associados com cadentes folhas de cerejeiras, quando estes mergulhavam com seus aviões para a morte. O cair das folhas de cerejeira num anime, pode indicar que o personagem não viverá muito, mas morrerá provavelmente de modo heróico.

Mesmo tendo personagens com traços que em quase nada lembram o povo japonês e tendo histórias nem um pouco convencionais, quase todos os aspectos da cultura e vida japonesa estão presentes nos animes. Há referências que vão desde o simples jogo jan-ken-pon, o Sushi, o karaoke, até a lenda de Amaterasu Omikami. Alguns exemplos: 

           As casas nos animes são em sua maioria típicas casas japonesas, bem ventiladas, contendo portas e janelas deslizantes e possuindo em sua entrada um genkan, local onde cuidadosamente retiram-se os sapatos e calçam-se sandálias para se ter acesso aos demais cômodos, que com exceção da cozinha, corredores e banheiros são forrados com esteiras(tatami). Os atrapalhados estudantes Keiichi Morisato, da série em OVA Ah! Megami Sarna, e Momotari Junta, da série de televisão D.N.A2, moram em casas japonesas tradicionais.

-Benten, originalmente a Deusa do Rio, veio a ser a divindade guardiã da sabedoria, conhecimento e artes. Antigamente era também celebrada como a Deusa do dinheiro. É um dos Sete Deuses da Sorte(Shichiffiku-jin). Ela é retratada no anime Lum Urusei

Yatsura:            Perfect Collection, mais conhecido no Brasil como A turma do Barulho.

-Cha-no-Yu (Cerimônia do chá), é um modo especializado, disciplinado e muito formal de se preparar e apreciar o chá. A cerimônia é considerada uma experiência tanto espiritual como bela. Sua origem vem de antigos métodos chineses de se preparar chá em pó, mas foi muito influenciado pela sensibilidade Coreana e o Budismo Zen. Seu praticante mais importante foi Sen no Rikyu no século 16. A personagem Kuno, no anime RanmaY2:

Cat-Fu Fighting, realiza a cerimônia do chá no primeiro episódio dessa série. 

-E no período Edo(Tokugawa), 1603-1867, que se dá o enredo do anime Ninja Scroll e é no período Muromachi(Ashikaga), 1333-1568(1573), que se passa a história de Mononoke Hime, mais aproximadamente na Guerra de Onin (1467-1477). A corte do período Heian, 794-1185, é parodiada no epsódio 1 da terceira temporada de Urusei Yatsura.

-      Fuji-San, ou Monte Fuji é uma das mais impressionantes montanhas do mundo. Não apenas uma fantástica formação geológica e a mais alta montanha japonesa, o Monte Fuji é também um dos locais mais sagrados no Japão. Escalá-lo tem sido uma peregrinação religiosa por séculos. No episódio 2 da primeira temporada de Wanderers: El-Hazard, a personagem Makoto fala sobre ter escalado a metade do Fuji-San e que espera poder subir ao topo algum dia. E na seqüência de abertura do OVA 1 de Gunbuster vê-se o Monte Fuji ao fundo.