ANIME
ANIMAÇÃO JAPONESA - OS ANIMES
A
produção dos desenhos animados japoneses começou nos anos 50, inicialmente
para cinema. Em 1962, veio a primeira produção para TV, intitulada Manga
Calendar. Mas foi somente em 1963 que essa indústria começou a operar para
valer.
Assim
como os mangás, os animes começaram sua escalada ao sucesso com Osamu Tezuka.
Sua premissa de dar um aspecto mais dinâmico e dramático aos mangás também
foi seguido nas animações. Osamu Tezuka influenciou vários desenhistas,
marcando seus estilos. Em 1963 seu mangá, Tetsuwan Atomu (Astro Boy),
foi transportado para as telas tornando-se a primeira série de desenho animado
produzida para a TV Japonesa. Pouco tempo depois, no mesmo ano, vieram Tetsujin
28 Go(Homem de Aço), Eito Man(Oitavo Homem) e Ken,
the WiId Boy(Ken, o
Garoto Selvagem). Desde então, o Japão tornou-se sinônimo de desenhos
animados.
A
animação era e ainda é feita com os acetatos. Cada célula de animação é
desenhada e pintada cuidadosamente, para depois serem "filmadas". E
embora esse método manual de colorir e fazer a animação venha sendo substituído
por um processo digital e informatizado, os cuidados e dedicação dispensados
ao faze-la continuam os mesmos.
A
quantidade de desenhos produzidos por ano no Japão é enorme. Enquanto lá se
produz em média 3 horas de desenho por dia, no Brasil, por exemplo, este número
não chega aos 10 minutos por ano. Outro diferencial é que no Japão os
desenhos não se limitam apenas a televisão, tendo inúmeros títulos em produção
para cinema e vídeo(os conhecidos O.V.As -Original Video Animation). Fato ainda
mais impressionante é que mesmo com um número reduzido de animadores o tempo
despendido para fazer os desenhos chega, em muitos casos, a ser muito menor e a
qualidade técnica, maior se comparados à de produções ocidentais.
O
longa de animação do diretor Hayao Miyazaki, Mononoke Hime(Princesa Mononoke),
teve apenas 32 animadores enquanto que o desenho animado Mulan da Disney
tinha cerca de 1700. A animação em Mononoke Hime é quase sempre em 24
quadros por segundo(um padrão excelente), e o número de cores utilizados para
a animação e de planos de fundo se movimentando são o dobro do que a Disney
utiliza. Enquanto que O Rei Leão e o novíssimo Tarzan,
ambos da Disney, levaram
4 anos para serem concluídos, Akira e
Memories(ambos trabalhos de Katsuhiro Otomo) foram feitos em 2 anos e 9 meses,
respectivamente.
Essa
ótima qualidade tem um preço, e alto. A produção de um anime é cara. Tanto
que Osamu Tesuka declarou certa vez: "As histórias em quadrinhos são
minha esposa. Mas a animação é minha amante: só sabe pedir dinheiro e mais
dinheiro! Mas quanto prazer ela me dá!" O que mantém a indústria da
animação japonesa viva é o comércio impulsionado por ela. Se uma história
de mangá faz sucesso, logo vira anime e vice-versa. Se este anime consegue
agradar ao público e rende uma boa audiência, em pouco tempo seus personagens
virarão brinquedos ou estarão protagonizando jogos para video-games ou
similares. Caso esses produtos venham ter uma boa saída, mais capítulos ou
animes com os personagens serão produzidos. Saint Seiya, Sailor Moon,
Yoroiden Samurai Troopers e Dragon Ball dão uma boa demonstração disso. Só
para efeito de comparação, a empresa Sunrise, que também produz animes, teve
um faturamento anual com esses produtos três vezes superior ao da Walt Disney
Pictures. Mas em meio a tantos desenhos voltados exclusivamente para o
merchandising, surgem algumas verdadeiras obras-primas e pérolas da animação
como os filmes do Estúdio Ghibli, Macross Plus, Memories, Ghost in The
SheIl, Akira e Springgan, entre outros.