ANIME
MANGÁS - OS QUADRINHOS JAPONESES
Os
animes estão intimamente ligados às histórias em quadrinhos, afinal, eles são
mais conhecidos como a arte de dar movimentos aos mangás. E embora nem todos os
animês se originem de mangás, para entender um pouco mais sobre a animação
japonesa é necessário saber como são os quadrinhos japoneses, sua história e
o que os diferencia de seus demais primos não orientais.
A palavra
mangá, que significa desenho involuntário, pode se referir a qualquer tipo de
história ilustrada, embora seu uso tenha sido restringido aos quadrinhos
japoneses. A arte de contar as histórias por meio de desenhos no Japão começou
há muito tempo. Há muito já se contavam histórias com estampas ilustrando
samurais por meio da serigrafia. O primeiro registro do qual se tem notícia de
uma história em quadrinhos data do século 12. O monge budista Toba, que
utilizando blocos esculpidos em madeira para a impressão, publicou uma sátira
ilustrada sobre os religiosos e nobres japoneses, em papiro, conhecida como
Pergaminho Animal.
Mas o seu
formato atual, de quadrinhos contendo ilustrações e textos em balões, só
ganhou corpo no final do século 19, com a entrada no país de revistas
americanas que veiculavam tiras de quadrinhos. Logo esse conceito de quadrinhos
foi assimilado e adaptado ao estilo e gosto japoneses. Mas então, quais seriam
as diferenças entre os quadrinhos ocidentais e japoneses? O que atrairia mais a
nossa atenção seria o design e características dos personagens. Enquanto que
nos quadrinhos ocidentais predominam os musculosos "super-heróis",
nos mangás, simples cidadãos, crianças e adolescentes são a maioria. Mas a
grande diferença entre esses dois segundo o autor do mangá Yabô no Mure
(Bando de Ambiciosos), Kei Tsukasa, é a duração das histórias. De acordo com
ele os desenhistas japoneses utilizam mais desenhos e páginas e bem menos
textos, para poderem ilustrar e descrever uma ação ou pensamento.
O grande
pioneiro a produzir mangás com uma carga mais dramática e intensa foi sem dúvida
Osamu Tezuka, logo após a Segunda Guerra Mundial. Até esse presente momento,
grande parte das histórias de mangás era cômica e os personagens pareciam
representar uma peça. Não pareciam estar integrados às histórias ou
vivenciando-as e não havia nada no sentido de desenvolver a fundo o lado psicológico
deles. Por isso Tezuka optou pelo uso das técnicas cinematográficas. Usando
muitos quadrinhos e páginas ele tentava captar com a máxima fidelidade os
movimentos e expressões dos personagens, que num outro momento teriam sido
expostos em apenas um único quadrinho. Deste modo, os quadrinhos japoneses
ganhavam mais vida e riqueza de detalhes.
O mangá
estava então, fadado ao sucesso. Sua primeira história, A Ilha do Novo Tesouro,
de 1947, foi recordista absoluta de vendas alcançando um número de 400 mil
exemplares.
Esse número
incrível, para a época do Japão pós-guerra, não impressiona se comparado
com os números conseguidos atualmente. Uma única edição mensal ou quinzenal
de um mangá erótico alcançou facilmente os 300 mil exemplares. Como é o caso
do Comic Amour, mangá erótico destinado ao público feminino, da autora
Mimei Sakamoto. Só no ano de 1996 foram vendidos 2,2 bilhões de exemplares de
diversos mangás, num total de 580 bilhões de ienes ou 5,5 bilhões de reais. E
existem mais de 273 títulos à disposição do consumidor nas bancas,
produzidos para várias faixas etárias e gostos dos mais diversos. São
geralmente baratos e impressos em preto-e-branco. Podem ser mensais, bimestrais,
semanais, semestrais ou mesmo anuais, sendo este último caso mais uma compilação
de todas as histórias lançadas durante o ano.
Poderíamos dividir então os mangás em 5 categorias principais, embora
não sejam as únicas: shonen (garotos), shojo (garotas), seinen (rapazes),
redisu ou redicome (moças), seijin (adultos, principalmente mangás eróticos
para homens).
Igualmente variados são os temas abordados pelos mangás, indo desde táticas governamentais aos pornográficos, passando pela ecologia, religião, ficção, esportes, esoterismo e principalmente a vida cotidiana do povo japonês. Em suma, tudo vira manga.